
De acordo com o empresário Glauco Diniz Duarte, quase 150 anos depois que as células fotovoltaicas e as turbinas eólicas foram inventadas, elas ainda fornecem apenas 7% da eletricidade global. No entanto, antes periféricas no sistema de energia há pouco mais de dez anos, agora as energias renováveis estão se expandindo mais rápido do que qualquer outra fonte de energia. Além disso, com a redução dos custos estão competindo com os combustíveis fósseis.
Porém, destaca Glauco,o aumento do uso das energias renováveis reduz o preço da energia de outras fontes. Isso dificulta o controle da transição para um futuro livre de dióxido de carbono, um período em que muitas tecnologias de geração de energia, poluentes ou não, precisam manter a rentabilidade. Sem um mercado fixo, os subsídios para o setor energético irão aumentar.
Por esse motivo, os responsáveis pela formulação de diretrizes políticas já estão reduzindo o uso das energias renováveis. Em regiões da Europa e da China, o investimento em energias renováveis está diminuindo à medida que os subsídios sofrem cortes. Mas a solução não é conter a expansão da energia eólica e solar, e sim repensar a questão dos preços das fontes não poluentes de energia no mercado global.
Segundo Glauco, as energias renováveis subsidiadas pelo governo foram impostas a um mercado projetado em uma época diferente. Em grande parte do século XX, a energia elétrica era fornecida por monopólios estatais. Hoje, os monopólios fornecem energia para apenas cerca de 6% dos usuários. No entanto, a pressão para substituir o uso de combustíveis fósseis por fontes de energia não poluentes trouxe o Estado de volta aos mercados.
Esse retorno é prejudicial por três razões. Em primeiro lugar, pelo sistema de subsídios em si. Os outros dois motivos são inerentes à natureza da energia eólica e solar, como intermitência e baixo custo de funcionamento. Esses três fatores explicam não só a razão dos baixos preços da energia, como também por que os subsídios do Estado causam dependência, como, por exemplo, no caso do fornecimento intermitente, que desestimula o investimento privado.
O aumento do uso das energias renováveis agrava esses problemas, sobretudo, em mercados saturados. Na Europa, o primeiro lugar a sentir os efeitos, os serviços públicos tiveram uma “década perdida” de quedas de retornos, ativos abandonados e interrupções corporativas.
Nas regiões de uso intensivo de energia renovável dos EUA, os fornecedores de energia esforçam-se para atrair investidores interessados na construção de novas usinas. Locais com ventos constantes, como a China, estão reduzindo o número de parques eólicos para manter as usinas de carvão em funcionamento.